"Parecia-lhe que já fora tão experimentada que agora lhe deveria chegar, dentro da lógica humana romântica dos humanos, a hora de receber a paz."
C.L
quarta-feira, 26 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Sinto medo nessa manhã congestionada de chuva que canta alto na minha janela.
O poema de Neruda, minutos antes da meia-noite de ontem, caiu como uma luva nessa revolução espiritual que tem me devorado diariamente:
"Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
Desconheço quem possa manifestar tamanha atenção. Quem sabe as minhas fantasias deem conta de preencher essa necessidade.
Jean Baudrillard também me acorda hoje: "examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo."
Como explicar os sentimentos que estão por trás de todo esse meu discurso? Será que sou capaz de explicá-los a mim mesma? Olhando para mim nessa manhã cinzenta, proponho mais um desenho reflexivo a respeito das categorias impensáveis.
O choro depois do banho, logo cedo, foi responsável por fertilizar minhas idéias. Ele mesmo, o choro de amor. Que limpa o coração dos meus olhos e sustenta o barco que me faz humana.
Sejamos humanos, homens!
Baudrillard apertaria minha mão, creio eu:
"ÉPOCA - A disseminação de signos a despeito dos objetos pode conduzir a civilização à renúncia do saber?
Baudrillard - Alguma coisa se perdeu no meio da história humana recente. O relativismo dos signos resultou em uma espécie de catástrofe simbólica. Amargamos hoje a morte da crítica e das categorias racionais. O pior é que não estamos preparados para enfrentar a nova situação. É necessário construir um pensamento que se organize por deslocamentos, um anti-sistema paradoxal e radicalmente reflexivo que dê conta do mundo sem preconceitos e sem nostalgia da verdade. A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia."
O poema de Neruda, minutos antes da meia-noite de ontem, caiu como uma luva nessa revolução espiritual que tem me devorado diariamente:
"Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."
Desconheço quem possa manifestar tamanha atenção. Quem sabe as minhas fantasias deem conta de preencher essa necessidade.
Jean Baudrillard também me acorda hoje: "examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo."
Como explicar os sentimentos que estão por trás de todo esse meu discurso? Será que sou capaz de explicá-los a mim mesma? Olhando para mim nessa manhã cinzenta, proponho mais um desenho reflexivo a respeito das categorias impensáveis.
O choro depois do banho, logo cedo, foi responsável por fertilizar minhas idéias. Ele mesmo, o choro de amor. Que limpa o coração dos meus olhos e sustenta o barco que me faz humana.
Sejamos humanos, homens!
Baudrillard apertaria minha mão, creio eu:
"ÉPOCA - A disseminação de signos a despeito dos objetos pode conduzir a civilização à renúncia do saber?
Baudrillard - Alguma coisa se perdeu no meio da história humana recente. O relativismo dos signos resultou em uma espécie de catástrofe simbólica. Amargamos hoje a morte da crítica e das categorias racionais. O pior é que não estamos preparados para enfrentar a nova situação. É necessário construir um pensamento que se organize por deslocamentos, um anti-sistema paradoxal e radicalmente reflexivo que dê conta do mundo sem preconceitos e sem nostalgia da verdade. A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia."
domingo, 9 de maio de 2010
Ouvindo a doçura de Mice Parade em Nights Wave pela segunda vez consecutiva, depois de Bon Iver me embalar com From Emma e de absorver todo o amor de She e Him em Sentimental Heart. É assim que abasteço a minha alma antes de me deitar pra dormir nesse domingo inquietante. São exatamente 02:13. O ciclo do meu pensamento parece querer descansar por um breve momento. Sinto que estou perto de transbordar, mais uma vez. Overdose de sentimento, boa noite pra você.
Bigger than my body!
O ritual de transbordar interiormente é gritante e ensurdecedor como nunca. Sou capaz de ouvir o eco em qualquer esquina do meu coração.
sábado, 17 de abril de 2010
Não sei quantas almas tenho (Fernando Pessoa)
"Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu."
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu."
Enfrento, sem nenhuma outra ajuda, além da própria cabeça e do coração, o vazio - tão jovem - deixado pelo poeta que me levou nos braços, por tantas noites, ao encontro do verso que esperava para adormecer comigo. Ensinou-me o poeta, que eu poderia recriar o universo segundo uma nova dimensão, na qual seria necessário pintar-me de ousadia para, só assim, dar vida aos meus sonhos e convicções e fazer da sensibilidade o ponto máximo do meu projeto de vida.
O homem das cores sábias deixou de ser palpável. É energia que, derramada sobre mim, transborda.
Eu bebi as cores do meu pai e trouxe comigo. Elas, que compõem o cenário da minha alma.
O cenário das mais fortes emoções, que gritam detrás das cortinas vermelhas que se abrem a cada espetáculo de sentimentos. Eles esperam ser aplaudidos de pé.
Quero ver uma plateia de bichos homens, entre eles, o mais humano, que irá explorar a densa selva de cores. O que baterá a última palma, ao fim do espetáculo, e permanecerá no mesmo local, inconformado com o fechar das cortinas, esperando a hora da revelação - quando os sentimentos sairão daquele palco nus e crus, cansados, sem maquiagem, completamente desbotados, e serão convidados a passar a noite sob os cuidados da lua. Quero que bichos se cheguem com mansidão ao bicho manso, doce e meramente humano que eu tanto procuro ser. Quero, como uma selvagem em busca de abrigo no meio da tempestade, o único dia em que me encontrarão. Tão livre, e sozinha na natureza. Na mais pura e antiga condição humana, nua da cabeça aos pés.
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